O Guru
O Guru da Montanha nasceu em uma pequena vila no sopé do Monte Api, há cerca de 110 anos. Naquela época, os nepalianos não mantinham registros de nascimento, por isso é difícil dizer a idade exata do guru. Mas eu conversei com os pais deles, no ano passado, e eles disseram que têm certeza que ele nasceu na virada do século. O anterior.
O Guru atendia pelo nome de Kumbeshwar Pokhara, mas desde pequeno gostava de ser chamado de Guru.
Não era prepotência ou arrogância. Ele era o menino que tudo sabia e todos sabiam que ele sabia tudo, e que o nome pra quem sabe tudo, à época era Guru. Hoje ele seria chamado de Google.
Durante os primeiros anos de sua vida, o Guru viveu na pequena aldeia, com seus pais, avós, vinte e três irmãos e quatorze irmãs. Mas, a um certo ponto de sua vida, o Guru decidiu sair daquela cidade que o sufocava.
Ele se cansou de sempre ver uma fila de pessoas na porta de sua casa, prontas para fazer mil perguntas sem fim. As perguntas iam desde “qual é a melhor época pra plantar tomate híbrido?” a “que nome dou para a minha vaquinha?”
O Guru sabia que tinha uma missão no mundo, e que precisava se concentrar nisso.
Pensando não só em si mesmo, mas também em toda a humanidade, o Guru se refugiou no topo do Monte Api. Lá de cima, o Guru está atento a tudo o que acontece no mundo, e tem a mente livre para responder às perguntas que chegam até ele.
Centenas de pessoas viajam por meses, escalando montanhas íngremes, enfrentando o frio extremo, somente para fazer uma única pergunta ao Guru. Sim, o Guru somente permite uma pergunta por pessoa. E atende somente cinco pessoas por mês.
Não adianta ser rico, poderoso, sofredor, divino. O Guru tem regras imutáveis.
Se você tem alguma pergunta a fazer, eu sugiro que a faça aqui, portanto.